Mortes no Trânsito: Tráfego brasileiro mata 1 pessoa a cada 12 minutos

Mortes no Trânsito: Tráfego brasileiro mata 1 pessoa a cada 12 minutos
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Ações de conscientização e sensibilização da sociedade e a busca de uma vacina, deveria ser a grande prioridade. Com índice 23,4 mortes por 100 mil habitantes.

E essas ações são mais que necessárias: o Brasil está na quarta posição entre os países com mais mortes em acidentes de trânsito no mundo, de acordo com estudo de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS), ficando atrás apenas da China, Índia e Nigéria.

Em 2018, por exemplo, o índice brasileiro atingiu a triste marca de 23,4 mortes por 100 mil habitantes, considerada muito alta. “No Brasil, 1 pessoa morre a cada 15 minutos por causa de acidentes de trânsito. A cada 2 minutos 1 ser humano sofre sequelas por causa de ferimentos”, diz José Aurélio Ramalho, diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (Onsv).

Os três pilares da segurança viária
De acordo com os especialistas avaliam a segurança do trânsito, levando em conta três aspectos: vias, veículos e fator humano. “Evoluímos bastante nos últimos anos em equipamentos de segurança dos automóveis e nas condições das vias, principalmente às que são administradas por concessionárias. Mas o fator humano ainda preocupa”, diz.

Ele explica ainda que a imprudência dos motoristas causa cerca de 90% dos acidentes no mundo todo. “Se uma via está mal pavimentada ou tem pouca sinalização, é obrigação do condutor reduzir a velocidade e se adaptar para evitar acidentes”, comenta.

De acordo com ele, um fator fundamental para trazer mais segurança ao trânsito seria promover uma formação constante sobre os riscos do tráfego para todos os condutores.

“Nós preparamos as pessoas para que passem na prova e evitem multas. O correto seria que os motoristas fossem formados treinando sua percepção de risco para cada situação”

Observatório Nacional de Segurança Viária
“No Brasil, os acidentes de trânsito são a segunda causa de morte não
natural evitável. Para a redução da morbimortalidade no trânsito, é fundamental o envolvimento de toda a sociedade”, diz Flavio Adura, diretor
científico da Associação Brasileira de Medicina no Tráfego (Abramet).

Pandemia reduziu índices de acidentes
Nos primeiros meses do isolamento social, que aconteceu em função da pandemia de Covid-19, a redução na circulação dos veículos impactou positivamente o número de acidentes e vítimas do trânsito em todo o País.

No Estado de São Paulo, por exemplo, quase 7 mil acidentes foram evitados entre 24 de março a 30 de abril, de acordo com o Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (InfosigaSP).

Porém, o Estado ainda registrou 9.700 acidentes, 41% a menos que no mesmo período de 2019, quando houve 16.500 casos.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o número de mortes em acidentes recuou 31% (68, contra 99, em 2019). As ocorrências em ruas e avenidas das cidades caíram 40% e, nas estradas paulistas, a queda foi de 45%, incluindo rodovias estaduais e federais.

Números recentes de mortes no trânsito
Atualmente, os índices de mortes no trânsito seguem menores do que os de 2019, mas a tendência é de que aumentem com a abertura gradual das atividades e o maior movimento nas ruas.

Em julho, dado mais recente do InfosigaSP, o Estado de São Paulo registrou 402 mortes, somando vias urbanas e estradas, o que representa redução de 16,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, que registrou 482 ocorrências. No acumulado do ano, a redução no número de fatalidades é de 11,4% (2.726, contra 3.078, nos primeiros sete meses de 2019).

Acidentes com vítimas diminuíram 6%, em julho (14.100 registros, contra 15.100). E os motociclistas lideram as estatísticas, com 139 óbitos, mesmo número do ano passado. “Por causa da pandemia de covid-19, a mobilidade passa por uma transformação intensa. Com menor número de pessoas transitando por ruas e estradas, os acidentes caíram na mesma proporção.

Esse cenário beneficiou, principalmente, os pedestres, população mais exposta em caso de acidente. Hoje, esse grupo registra o menor número de mortes dos últimos cinco anos”, destaca Ernesto Mascellani Neto, presidente do Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP).

De acordo com o órgão, registraram-se 92 ocorrências de mortes de pedestres, em julho, contra 128, no mesmo período do ano passado (redução de 8,1%), e queda de 18,5% no acumulado do ano na comparação com 2019.


Soluções para um trânsito seguro
Conscientizar as pessoas sobre o respeito às regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) seria fundamental para um trânsito mais seguro. como uso do cinto de segurança, não usar o celular nem ingerir bebida alcóolica ao dirigir,

Mas especialistas em mobilidade alertam também que é um erro considerar que o problema é apenas cultural. “A visão de que só a imprudência dos motoristas é responsável pela tragédia que representa o trânsito no Brasil é um limitador das ações que podem e devem ser tomadas para evitar mortes e feridos no trânsito”, diz Sérgio Avelleda, diretor de mobilidade do programa de cidades do WRI Global.

De acordo com o especialista, cada vez mais cidades e países no mundo adotam uma metodologia chamada Visão Zero para eliminação de mortes e ferimentos no trânsito. “Ela parte do princípio de que nenhuma morte prematura é aceitável. E leva em conta dois fatores fundamentais: que as pessoas são passíveis de erro e que são frágeis”, diz Avelleda.

De acordo com a metodologia, todos os atores – e não apenas motoristas ou pedestres – são responsáveis por evitar mortes e ferimentos graves. “O poder público tem um papel preponderante para eliminar mortes e feridos graves. Desenho das ruas, limites de velocidade, cruzamentos, ou seja, toda engenharia de trânsito deve estar voltada para não permitir que um erro ou uma distração condene alguém à morte ou à invalidez”, explica Avelleda.

6 medidas para um trânsito mais seguro
Em 2019 o WRI Ross Center for Sustainable Cities e o Banco Mundial desenvolveram uma série de medidas para promover um trânsito mais seguro e humano. São elas:

1- Formalização de um pacto nacional pela segurança no trânsito, com a participação da União, dos Estados e dos Municípios.
2- Engenharia de trânsito incorporando a metodologia Visão Zero e tornando as vias mais seguras, levando em conta desenho, sinalização e redução de velocidade.
3 – Dar prioridade ao transporte coletivo e à mobilidade ativa.
4 – Fiscalização constante para punir comportamentos imprudentes, por meio de radares e agentes de fiscalização.
5 – Maior rigor na formação e no processo de habilitação dos motoristas.
6 – Envolvimento de toda a sociedade na solução do problema, como poder público, indústria automobilística, imprensa e sociedade civil.
Os dramáticos números da insegurança nas vias públicas e rodovias
34 mil pessoas mortas por ano, o que equivale a 1 morte a cada 15 minutos
Em julho, apenas o Estado de São Paulo registrou 402 mortes somando vias urbanas e rodovias, número que representa queda de 16,6% na comparação com o mesmo período do ano passado (com 482 óbitos)
Em julho (Estado de São Paulo), 139 motociclistas morreram e 92 pedestres.
O Brasil gasta R$ 50 bilhões ao ano em acidentes de trânsito (entre gastos com saúde, indenizações e previdência)

  • Fontes: Ipea, Observatório Nacional de Segurança Viária e InfosigaSP

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