Quando o discurso fica só nas palavras

Quando o discurso fica só nas palavras

Se fala muito em produtividade agrícola, e todo mundo enche a boca, mas na hora de fortalecer um setor meteorológico, fundamental para as mais diversas atividades, inclusive agrícola, não existe recursos.

Encontro virtual aconteceu em (19/10/21)

Os diretores da Faculdade de Ciências da UNESP de Bauru- FC, Vera Capellini e José Remo se reuniram com representantes das defesas civis do estado de São Paulo,  usuárias dos serviços prestados pelo IPMet – Centro de Meteorologia de Bauru, vinculado a faculdade, além de vereadores da cidade de Bauru e representantes de outros órgãos públicos. Na reunião, ocorrida de forma virtual, foi discutida a atual situação do IPMet, que tem sua manutenção cada vez mais ameaçada pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela UNESP, bem como sugestões para resolver o problema.

Reunião virtual

Vera Capellini enfatiza que é necessário um aporte de cerca de 500 mil reais ao ano para custeio das atividades de vigilância, limpeza e conservação da sede do Centro de Meteorologia. Uma sugestão, seria o rateio dessa quantia entre os municípios beneficiados com as informações produzidas e colocadas à disposição, até agora gratuitamente, aos órgãos oficiais. Nas palavras da diretora da FC, “não que a Universidade não considere importante ou esteja se furtando à responsabilidade quanto ao IPMet, mas ela se encontra numa posição de dificuldades para atendimento de outras necessidades urgentes ligadas a atividade fim, ou seja, o ensino. São necessárias reposições de pelo menos 1.000 docentes, só para dar um exemplo.”

Google Maps: Bauru IPMet

Além da questão do custeio, outra preocupação é quanto a vida útil dos radares, que apesar das atualizações, já estão em funcionamento há cerca de 30 anos, e precisarão ser substituidos nos próximos anos. E as informações  e alertas de aproximação de eventos severos, produzidos pelos radares são essenciais para a qualidade e agilidade das ações de proteção à vida. Nas palavras de Marcelo Ryal, da Defesa Civil de Bauru, “ficar sem as informações  dos radares seria como voltar ao tempo das cavernas.”

Não são apenas as defesas civis que se beneficiam com os dados de radar. Setores como o agronegócio, segurança pública, construção civil,  geração e transmissão de energia, transportes (aéreo, rodoviário e maritimo) e turismo, só para citar alguns, também se utilizam das informações para o planejamento de suas operações. Para se ter uma ideia do alcance e interesse nos dados , em 2020, o site do IPMet recebeu mais de 42 milhoes de acessos, e no último dia 15 de outubro foi batido o recorde de acessos num único dia: 395.681. A população abrangida  na área de cobertura dos radares, num raio de  240 km, aquela que produz as informações mais completas, chega a quase 22 milhões de habitantes, em 657 municípios, 471 só no estado de São Paulo. Na área de cobertura de 450Km, o chamado modo vigilância,  o total de municipios chega a 1290, com uma população de quase 66 milhões de habitantes.

Ainda ontem, os diretores da FC tiveram outra reunião, dessa vez presencial, com a prefeita da cidade de Bauru, Suéllen Rosim, que se comprometeu a ajudar numa articulação política, inclusive junto ao ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, na busca de soluções. Já os participantes da reunião virtual se comprometeram a defender, junto aos órgãos competentes, a ideia de uma espécie de fundo para o custeio das atividades.

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