Você já pensou carregar o celular em 1 minuto

Jaca no celular

Depois de botar o pé na jaca, agora vamos botar a jaca no no celular

Um grupo de pesquisadores não está apenas tentando encontrar novas maneiras de fornecer energia a nossos dispositivos, mas também lidar com o problema do desperdício de alimentos ao mesmo tempo.

Vincent Gomes, engenheiro químico da Universidade de Sydney, e sua equipe, incluindo Labna Shabnam, estão transformando os resíduos da fruta mais fedorenta do mundo, o durião, e da maior fruta do mundo, a jaca, em um supercapacitor que pode carregar telefones celulares, tablets e laptops em minutos.

Os super capacitores são uma forma alternativa de armazenamento de energia. Eles agem como reservatórios, capazes de carregar rapidamente e, em seguida, descarregar energia em rajadas. Eles tendem a ser feitos de materiais caros como o grafeno, mas a equipe de Gomes transformou partes não comestíveis de durião e jaca em aerogéis de carbono – sólidos superleves porosos – com propriedades “excepcionais” de armazenamento natural de energia. Eles aqueceram, liofilizaram e depois assaram o núcleo esponjoso não comestível de cada fruta em um forno a temperaturas de mais de 1.500 °C. As estruturas pretas, altamente porosas e ultraleves que resultaram desse processo poderiam ser transformadas em eletrodos de um supercapacitor de baixo custo.

Os supercapacitores podem ser carregados em 30 segundos e usados para alimentar uma variedade de dispositivos.

“Ser capaz de carregar um telefone celular em um minuto é incrível”, diz Shabnam.

O sonho dos pesquisadores é usar esses supercapacitores sustentáveis para armazenar eletricidade de fontes renováveis de energia para uso em veículos e residências.

E isso antes de considerar os benefícios de encontrar um uso verde para o durião, já que mais de 70% dessas frutas tendem a ser jogadas fora.

Em 2018, o mau cheiro impediu temporariamente a decolagem de um avião na Indonésia. Também levou a uma evacuação em massa de uma biblioteca da Universidade de Canberra, na Austrália, no ano passado.

Nos estágios iniciais de sua pesquisa, o fedor se tornou um desafio para a mulher de Gomes, que retirou todos os restos da fruta fedorenta do freezer depois de apenas uma noite.

Outros tipos de resíduos de plantas também podem ser usados para alimentar os dispositivos do futuro. Mikhail Astakhov, físico químico da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia (MISiS) em Moscou, na Rússia, transformou a hogweed, uma erva daninha de seiva tóxica que pode provocar bolhas quando em contato com a pele humana, em uma matéria-prima para um supercapacitor tecnicamente capaz de carregar um telefone.

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